Dicas e Sugestões

Advertências:

A escalada é uma actividade que engloba sérios riscos para a integridade física ou até mesmo a morte. É importante ter conhecimentos e experiência para a sua prática e fazer-se acompanhar de material adequado. 

 Estas dicas de treino são, tal como o nome diz, meras “dicas”. Foram elaboradas pelo “Chinelo de Meter o Dedo”, tendo como base bibliografia técnica sobre treino de escalada. No entanto, não somos profissionais. Além disso, cabe depois a cada um adaptar estas dicas à sua realidade, ao seu treino, aos seus objectivos e à sua condição física.

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“Into the Wild” (“O Lado Selvagem”)

Eis uma verdadeira sugestão 3 em 1: um filme, um livro, uma banda sonora. Tudo baseado na mesma história. Tudo imperdível.

Como o tema nos toca pessoalmente, tendo em conta a história de aventura, não poderiamos de deixar de o recomendar, o que para nós é uma história, um filme, um livro, uma banda sonora intemporal.

Este é um filme que esteve no cinema há coisa de um ano, talvez um pouco mais. Classificado como documentário e/ou filme alternativo, apenas foi exibido numa sala de cinema no Porto, alguns meses depois de ter estreado em Lisboa.

Into the Wild é um filme fabuloso, majestoso, tocante. É uma aventura, uma viagem pela natureza, longe da civilização, com uma mochila às costas e muita vontade de viver intensamente cada dia à nossa maneira. Baseado numa histórica verídica, saber qual é o final do filme em nada tira ou minimiza a nossa atenção total e embrenhamento nesta história fantástica.

Nós já conhecíamos a história e ansiávamos a estreia do filme, realizado pelo fantástico e rebelde Sean Penn e com a fabulosa banda sonora (para todo o filme) de Eddie Vedder (vocalista dos Pearl Jam). O filme, badeado no livro de Jon Krakauer, publicado em 1996, foi adaptado em 2007 para o cinema. Foi um projecto pessoal de Sean Penn, que se revia na personalidade rebelde de Christopher McCandless, e que durante largos anos tentou obter a permissão da família para a realização do filme. Finalmente conseguiu-a e ainda bem.

Recomendamos vivamente o filme, a banda sonora e o livro, sendo que o livro nos traz visões diferentes de várias pessoas com as quais Jon Krakauer se cruzou durante a sua investigação sobre a vida de Christopher McCandless, pessoas com quem Chris se cruzou na sua jornada, sendo que umas o aclamam, idolatram e adoram e outras apenas o consideram um louco e excêntrico.

Não havendo opiniões certas ou erradas, deixamos ao vosso critério considerá-lo um louco ou um idealista aventureiro amante da natureza na sua mais pura forma.

Para os que não conhecessem, aqui fica um resumo desta história que tanto nos marcou.

Christopher J. McCandless (2 de Fevereiro de 1968 – Agosto de 1992) foi um viajante americano que morreu perto do Parque Nacional Denali depois de caminhar sozinho na selva do Alasca com pouca comida e equipamento. McCandless era filho de um cientista da NASA e desde cedo foi uma criança notada por todos como extremamente energética, que ao longo do seu crescimento desenvolveu um intenso idealismo e resistência física.

Licenciou-se em história e antropologia e a licenciatura aliada à sua posição de classe média alta fez crescer nele, em segredo, um profundo desprezo interior pelo que McCandless via como materialismo e vazio da sociedade americana. Sonhava deixar a sociedade para experimentar um período de contemplação solitária.

Logo após acabar a licenciatura em 1990, Christopher McCandless doou os seus 24 mil dólares que tinha no saldo bancário a instituições de caridade e desapareceu sem avisar a família. A sua raiva quanto à civilização em que vivia, quanto às mentalidades e materialismos da época, foi fundamental para a sua tomada de decisão. A partir daquele dia, nunca mais regressou a casa.

Chris McCandless partiu a pé em direcção ao Oeste, adoptando um novo estilo de vida, no qual era livre e assumia o nome de Alexander Supertramp, em busca de experiências novas e enriquecedoras.

Por onde passou, Chris alterou as vidas das pessoas que o conheceram, devido à sua personalidade forte, inteligência e simpatia. Raramente falava de casa e eram muitas as vezes em que era reservado e ponderado.

Através de um diário que manteve na contracapa de vários livros, com cento e treze entradas, podemos compreender o que realmente aconteceu a Chris McCandless na sua viagem ao interior do Alasca. O seu diário contém registos cobrindo um total de 113 dias diferentes. Esses registos cobrem do eufórico até ao horrível, de acordo com a mudança de sorte de McCandless.

Alimentou-se do que trazia e de algumas bagas que colheu na natureza, tal como de alguns animais que caçou, com sucesso; leu vários livros, rabiscando-os com pensamentos próprios sobre a vida; passeou por diversos bosques, mas o local onde permaneceu mais tempo foi logo abaixo da Cordilheira Externa, onde ainda hoje se encontra um autocarro abandonado, de número 142, que serviu de residência a Chris, onde pernoitou e escrevinhou algumas frases no seu interior.

Permaneceu cerca de quatro meses nas montanhas, sobrevivendo à custa do que encontrava, totalmente sozinho, livre. Em 6 de Setembro de 1992, dois montanheiros e um grupo de caçadores de alces encontraram esta mensagem na porta do autocarro:

“S.O.S. Preciso de ajuda. Estou aleijado, quase morto e fraco demais para sair daqui. Estou totalmente só, não estou a brincar. Por amor de Deus, por favor, continuem a tentar salvar-me. Estou lá fora a apanhar frutas nas proximidades e devo voltar esta noite. Obrigado, Chris McCandless.”

O seu corpo foi encontrado em decomposição em Agosto de 1992, embrulhado num saco-cama no interior do autocarro, já morto há cerca de duas semanas. A causa oficial da morte foi fome. Uns dizem que morreu à fome, outros pensam que foi envenenado despropositadamente por algumas bagas que ingeriu. Nunca se saberá bem a verdade.

Chris McCandless morreu feliz; ele próprio o disse numa entrada no diário, apercebendo-se do seu fraco estado de saúde: “Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus vos abençoe a todos”.

Mais informação em:

http://www.intothewild.com/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Christopher_McCandless

http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=190539

 

 

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Livro – “Guerreros de la Roca”

O treino físico é uma chave importante para podermos progredir no nosso nível de escalada; o treino mental é talvez ainda mais importante.

Foi Wolfgang Güllich que disse pela primeira vez: “o músculo mais importante é a mente…”

Os manuais de escalada, normalmente não dedicam muitas páginas ao treino mental, embora este seja um factor tão importante como a força, flexibilidade ou técnica.

Numa abordagem única e original para o treino mental, Ilgner Arno, baseia-se em ideias básicas da antiga tradição do Caminho do Guerreiro, aliada à moderna psicologia do desporto.

Sendo ele próprio um escalador experiente, junta a sua experiência aos elementos anteriormente descritos e escrever o livro “Guerreros de la Roca”. Este livro é um programa completo com o qual podemos aprender a concentrar a nossa mente durante a escalada.

“Guerreros de la Roca é um programa de treino mental, ao invés de ser apenas uma filosofia da escalada em rocha, o que alimenta a rica tradição da literatura e do guerreiro. O seu estilo é muito diferente daquele normalmente associado com a guerra, e que não é combativo, nem muito agressivo. Ao contrário, é um programa de equilíbrio, harmonia e subtileza que se baseia na aplicação pacífica das antigas tradições marciais.” (pág. 25)

Ilgner Arno leva-nos, passo a passo, pelo caminho do guerreiro da rocha, o que inclui uma análise da motivação, a recolha de informação, avaliação de risco, concentração e transição deliberada ao acto.

O método é simples: é preciso primeiro reconhecer o que nos dificulta, estando o reconhecimento feito, consideram-se os verdadeiros objectivos e seguimos algumas orientações, para nos tornarmos melhor, um caminho que nunca deixaremos de percorrer. Mas se o método é simples, tudo parte de uma premissa:

“É nossa responsabilidade fazer do nosso trabalho algo que nos apaixona, porque é a maneira mais eficaz de trazer a felicidade para as nossas vidas. Um trabalho apaixonante é a melhor maneira de enfrentar um desafio e é a maneira mais eficaz para servir os outros.” (pág. 22)

A má utilização da nossa atenção pode gerar medo, cujas manifestações variam desde a ansiedade pelo sucesso até ao terror. Ao analisarmos a nossa atenção e concentração podemos entender como surge o medo e tratá-lo de forma eficaz e gratuito para reconectarmo-nos com uma força motriz mais poderosa: a nossa paixão pela escalada. Só aí a nossa intenção será inflexível, o que resultará numa performance fora do comum.

Aprender é a chave do processo de escalada, de qualquer desporto de montanha ou outro qualquer aspecto da vida:

“O que realmente importa quando enfrentamos um risco? O que importa é a aprendizagem. Queres testar-te, enfrentar algo que está fora da sua zona de conforto e veres do que és capaz. O teu verdadeiro objectivo é não é conquistar uma centena de metros de rocha inanimada, mas sim aumentar as tuas capacidades através da aprendizagem.” (pág. 44)

Mas se fazer da nossa vida algo de importante é o ponto de partida, à medida que avançam no livro, vão encontrar novas barreiras, mais difíceis de ultrapassar sozinhos, sem a existência de um espírito de aprendizagem:

“Para a maioria de nós quando se trata de enfrentar um desafio, o principal inimigo somos nós mesmos. A nossa auto-estima e a imagem que temos de nós próprios estão demasiado entranhadas em nós mesmos. O ego controla grande parte do nosso comportamento. Muitas vezes agimos com base no medo e na fuga dele, ao invés da paixão pelo desafio ou pela escala em si.” (pág. 26)

Estamos sempre a aprender. É por isso que o escalador arrisca para expandir sua zona de conforto. E se fizermos isso, é porque estamos abertos às diferentes formas sob as quais a informação nos chega e porque fomos capazes de tirar proveito dela:

“Ter uma mente aberta significa que irás rejeitar as novas informações, sem uma avaliação prévia e, se for útil, fazer uma tentativa sincera de incorporá-la no teu pensamento. Mas cuidado! Poucas pessoas realmente admitem ser ou ter uma mente fechada.” (pág. 64)

 “Guerreros de la Roca” é um programa revolucionário para os escaladores que desejam melhorar o seu desempenho e cada vez mais desfrutar da escalada, mas que também o podemos estender à vida quotidiana.

Aqui podem ler um resumo do livro: http://www.escaladanoceara.com.br/artigos/imagens/Guerrerosdelaroca.pdf

Mais informação em: http://warriorsway.com/

fonte: http://www.montanismo.org.mx/articulos.php?id_sec=12&id_art=1389

 

 

 

 

One Response to Dicas e Sugestões

  1. GregTorson

    Great post if you ask me. Thank u a lot for sharing that data.

    Greg Torson
    radio signal jammer

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