Escala Clássica nos Galayos, Torreon, Pequeno Galayo, Grande Galayo, Punta Maria Luiza

Esta é mais uma história de um verão que, embora não vá longe, nos deixa bastante saudosos!

No meio de toda azáfama da abertura das novas vias do Sector “O Pastor”  tentamos arranjar tempo para conhecer os Galayos. Este sistema de agulhas graníticas, que não ultrapassam os 2200 metros, fica situado na Serra de Gredos, serra onde se encontra o Almanzor, a montanha mais alta do sistema central.

Há muito que desejava conhecer este paraíso da escalada clássica, terreno de aventura ou ainda, como se diz no Brasil, escalada com protecções móveis!

As agulhas que caracterizam os Galayos oferecem variedades de protecção que nos permitem proteger naturalmente sem a necessidade de recorrer a parabolts, é assim desde os seus primeiros exploradores e parece-nos que assim vai continuar (felizmente).

Eu, o Fred e o Alcino deixamos o conforto do carro na plataforma Nogal del Barranco (1260m) e percorremos o seu sinuoso trilho, que é unicamente composto por desnível positivo, até alcançarmos o Refugio Victory (1949m); o percurso é cruzado tanto por escaladores como por caminhantes que se deslumbram com as paisagens!

Plataforma del Nogal del Barranco, Guisando

Plataforma del Nogal del Barranco, Guisando

 

A aproximação é sempre a subir...

A aproximação é sempre a subir…

 

Alcino e Fred com o Grande e Pequeno Galayo ao fundo

Alcino e Fred com o Grande e Pequeno Galayo ao fundo

O dia era quente, praticamente sem nuvens, mas temos que estar preparados para o ambiente de montanha e não menosprezar as surpresas que a mãe natureza nos pode oferecer. 15 minutos depois de chegarmos ao refúgio desaba uma tempestade e rapidamente se criam grandes cascatas de água e pedras o que resultou numa retirada dos escaladores das paredes pouco pacífica mas, felizmente, sem grandes incidentes.

Abrigados da chuva repentina no minúsculo Refugio Victory

Abrigados da chuva repentina no minúsculo Refugio Victory

 

Sinal de que os escaladores podem conviver com a fauna e flora!

Sinal de que os escaladores podem conviver com a fauna e flora!

Depois de dormirmos inquietos, preocupados com a possibilidade de levarmos uma banhada, acordamos cedo e rapidamente nos fizemos ao ex-líbris da zona: o Torreon. Uma agulha com um formato singular que se destaca das demais. Chegados ao pé da via (atenção às aproximações à base das vias!) encontramos uma cordada que teve uma série de azares e nos obrigou a perder algum tempo. Por fim, lá se inicia a escalada: a via que escolhemos foi a “Lucas V+”. Aberto o primeiro largo pelo Alcino, coube ao Fred escalar o restante e sair pela fissura original; a fase final da via é um pouco mais exposta e exigente que o diedro habitual mas é um belo desafio que termina mesmo junto à tradicional reunião. Depois de alguns ensaios, cumprimos a praxe e todos nos pusemos de pé no cume do Torreon, uma experiência única.

A silhueta inconfundível, Torréon (2124m)!

A silhueta inconfundível, Torréon (2124m)!

 

Muito cuidado com as aproximações às vias!!!

Muito cuidado com as aproximações às vias!!!

 

À sombra do gigante!

À sombra do gigante!

 

Uma das vias possíveis para ascender ao Torréon, ainda com equipamento da época!

Uma das vias possíveis para ascender ao Torréon, ainda com equipamento da época!

 

Alcino nas vertiginosas paredes do Torréon.

Alcino nas vertiginosas paredes do Torréon.

 

Por fim de pé no cume do Torréon!

Por fim de pé no cume do Torréon!

A escalada é simplesmente perfeita e, como era a primeira visita, optamos pelas clássicas, mas ficamos com uma certeza: todas as vias são excelentes e até podemos dizer que, nos Galayos, até os III graus são fantásticos.

Não queríamos perder tempo e, assim, optamos por mais uma clássica na Punta Maria Luisa: a via “Rivas Acuña 160m – V”. Infelizmente, um friend teimou em ficar entaladinho e fez-nos perder tempo precioso que não nos permitiu terminar a via.

As nossas noites foram passadas de baixo de um manto estrelado que nos dava tempo para reflectir os feitos do dia e sonhar com o dia seguinte, sendo esta mais uma das vantagens dos Galayos. Não contem com o refúgio, apenas com o que carregam nas vossas mochilas e com o que a montanha tem para oferecer.

Acordar assim nem custa...

Acordar assim nem custa…

No segundo dia, optamos por sair do saco cama e iniciar a parede mais próxima: o Pequeño Galayo com a “Via Oeste – V”, uma via bastante fácil mas que é um hino à escalada. A mim, coube-me terminar a via com um último largo de fissura ligeiramente extrapumada e que pode ser V+/6ª e, mais uma vez, tivemos que nos erguer no afiado cume da montanha. Rapelamos e seguimos trepando até à base de mais uma clássica: “Gran diedro IV+” no Grand Galayo. Uma via fácil mas que desfrutamos tremendamente, um exemplo do que é escalada de excelência. Terminamos no ponto mais elevado, o Gran Galayo, de onde conseguíamos ver grande parte do maciço da Serra de Gredos.

Fantásticas estas vias de fissuras, Pequeño Galayo

Fantásticas estas vias de fissuras, Pequeño Galayo

 

Com o refúgio Victor ao fundo

Com o refúgio Victor ao fundo

 

Fissuras de autoprotecção!

Fissuras de autoprotecção!

 

Daqui o majestoso Torréon parece bem mais pequeno!

Daqui o majestoso Torréon parece bem mais pequeno!

 

Gran Galayo, Grande Diedro

Gran Galayo, Grande Diedro

 

Momentos finais das nossas escaladas

Momentos finais das nossas escaladas

 

Aresta afiada do Torréon, o desafio é conseguir-se por de pé

Aresta afiada do Torréon, o desafio é conseguir-se por de pé

Neste primeiro contacto com os Galayos, apesar de escalarmos vias acessíveis, o saldo foi muito positivo: local fantástico, acesso rápido às vias, linhas de rapel equipadas e vias de grande qualidade. Por tudo isto, a nossa mente já só pensava no próximo regresso a este paraíso da escalada de autoprotecção.

Acordamos com a ilusão de nos metermos em mais um fantástico itinerário no entanto, as horas eram já impróprias, pois tínhamos que regressar à civilização e ainda chegar a tempo de jantar em casa. O regresso foi passado ainda em êxtase e a planear a próxima viagem a este paraíso.

Que belas mini férias!

Que belas mini férias!

Da aventura fica um pequeno vídeo registado com as nossas máquinas fotográficas e as fotos possíveis, sendo que desta vez a prioridade era desfrutar em vez e registar!

Desta feita, despedimo-nos de 2013 com este relato e votos de que 2014 nos traga mais e melhor montanha.

Obrigado a todos que têm partilhado as nossas aventuras!

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